terça-feira, 17 de junho de 2008

Veado não!!.... Porco!

Caçador ferido ao ser confundido com veado

Tio Walter, figura bem popular no bairro Cidade Nova (Rio Branco –AC), tinha dois hobys na vida. Um era caçar, outro era fazer menino. Se tornou especialista em fazer filhas. Foram oito e mais não fez, porque Zuleica, a velha companheira parideira, pediu arrêgo. Um dia anoiteceu e não amanheceu, sumiu no trecho deixando para traz, roupas, tralhas de cozinha, eletrodomésticos, as filhas e o garanhão reprodutor.

Walter foi atingido por violenta crise existencial. Concentrou todo vigor nas caçadas até o dia em que ele próprio se tornou a caça.

Tomou um tiro na bunda e ganhou uma semana de internação no Pronto Socorro. De alta, deu forte guinada em sua vida. Abandonou as caçadas e virou pedreiro, após meses de estágio como ajudante de construção civil.

Nos conta o sobrinho “Manel”, que no dia do acontecido, Tio Walter estava participando de uma caçada junto com ele (Manel) e os amigos “Zé da Odilia” e o “Pé de Cão”, apelido dado ao vizinho Martim, dado sua facilidade em caminhar na floresta à noite, completamente descalço, com a mesma desenvoltura de quem caminha de tênis no “Calçadão da Gameleira”.

Era um domingo qualquer de agosto de 2003. Estavam caçando nas matas de uma fazenda às margens da BR-364, após o km 84 entre Rio Branco e Porto Velho. Eram 13hs quando se depararam com um bando de “porco do mato”, conhecido também por queixadas.

O quarteto armou uma emboscada para encurralar o bando de porcos. Combinaram se separar e criar um círculo, afunilando em direção ao bando. Sabem os caçadores, que uso de roupas coloridas e se posicionar a favor do vento, são situações que afugentam à caça.

Assim se dispuseram das tralhas e, vestindo apenas short’s iniciaram a formação do círculo, após se despediram até o encontro final, deixando o bando de queixadas em “fogo cruzado”.

Horas após, o encontro fatídico.

“Pé de Cão” vislumbrou o “costado de um veado vermelho” pastando por traz de uma moita. Nem precisou caprichar na mira. Apertou o gatilho da CBT (marca da espingarda) calibre 16. O eco do disparo se confundiu com a revoada de pássaros e um grito humano de dá arrepios.... AI!!!!! ........SEU FILHO DA P...

- ZÉ??.... MANEL???....

- É O WALTER PORRA...!!!

“Pé de Cão” constatou que não havia perdido um único caroço de chumbo sequer. Estavam todos cravados na bunda do Tio Walter. Era sangue a jorrar e reclamações sem parar por parte da vitima.

Alguns tiros para cima alertou os dois outros caçadores. “Manel” e “Zé da Odilia” chegaram às carreiras, achando que o bando de queixadas estava sob fogo cerrado.

Foi penoso chegar com o ferido até a beira do asfalto. Foram horas caminhando dentro da mata. Mas penoso ainda, foi conseguir ajuda para socorrer o ferido. Convencer motoristas pararem para ajudar um sujeito ferido em companhia de três outros portando armas de fogo.

“Manel” conta que chegaram a beira da estrada por volta das 17 horas mas só deram entrada no Pronto Socorro (PS) em Rio Branco, às 22 horas.

A noticia que tio Walter estava baleado, espalhou-se com a velocidade de toda noticia ruim. No dia seguinte, hora da visita, toda família estava no PS prestando solidariedade ao ferido.

Walter estava até bem disposto para quem havia tomado um tiro no trazeiro. Reclamava apenas da incômoda posição de deitar apenas de um lado e não parava de fazer reparos na narrativa do “Pé de Cão”, quando este dizia que o havia confundido com um veado.

Para escapar da gozação, Walter se apressava em fazer o reparo.. “Com VEADO não!...... PORCO”.

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